Banco Central: decisão contra o WhatsApp Pay não buscou favorecer o PIX

Banco Central: decisão contra o WhatsApp Pay não buscou favorecer o PIX

O diretor de organização do sistema financeiro e de resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello, refutou um suposto favorecimento da instituição ao PIX.

Mello disse ao Valor Econômico na terça-feira, 13 de julho, que o Bacen busca apenas “garantir uma infraestrutura de pagamentos isonômica, interoperável e neutra”.

Para ele, é necessário que esses serviços sejam claros e acessíveis ao consumidor. O diretor também afirmou que o WhatsApp não foi proibido de oferecer pagamentos.

Todas as soluções que forem pró-competitivas, e que a gente tiver garantido que todo mundo pode competir, nós vamos autorizar”, afirmou Mello

Sua fala ecoou o presidente do Bacen, Roberto Campos Neto. No início do mês, Campos Neto afirmou que o WhatsApp Pay poderia ser liberado “sob determinadas condições”.

Protegendo a integração entre o sistema

Para Mello, a ação do Bacen busca evitar que uma ou mais empresas dominem o sistema de pagamentos. Esse “oligopólio” iria de encontro ao que a autarquia pretende.

Mello citou o exemplo do mercado de maquininhas de cartão. Durante anos, o Bacen e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) trabalharam para abrir o mercado de pagamentos.

Por conta disso, hoje as maquininhas aceitam cartões de todas as bandeiras. Antes, a Visanet (atual Cielo) só aceitava cartões da Visa, enquanto a Redecard (atual Rede), apenas Mastercard.

“Vamos evitar a todo custo que isso ocorra (no mercado de pagamentos digitais)”, disse.

Redução de custos

Outra preocupação do Bacen, segundo Mello, são os custos desses serviços. Para ele, a concentração bancária pode resultar em altos custos aos usuários, sejam empresas ou pessoas físicas.

O diretor afirmou que o Bacen soube “pela imprensa” que o WhatsApp Pay cobraria dos lojistas uma taxa de quase 4% por transação. Segundo ele, a cobrança é muito acima da média de 0,9% cobrada nas operações com cartões de débito e de 1,7%, no crédito.

“Você tem uma mídia social com 130 milhões de usuários e vira um iniciador de pagamento. Já nasce grande. É possível que o lojista não tenha capacidade de negar o pagamento por esse meio [pelo fato de que é grande]. Aí temos um problema”, alertou Mello.

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